História do MPVEC Semente Estelar: O Semente em Camaçari

Observação: Esta é uma história real. Os nomes dos personagens são fictícios; qualquer semelhança é uma mera coincidência.

 

Em 1997, eu (Almeida), trabalhava em uma clínica, situada no bairro de Brotas, em Salvador. Nesse tempo, já ocorriam os encontros do MPVEC (Movimento de Preparação para a Volta e o Encontro com a Consciência Crística). Esse Movimento nasceu na Clínica Viver Melhor, no Rio Vermelho, onde eram feitas inúmeras reuniões, sempre às terças-feiras. Foi nessa clínica que tudo começou. Dois anos depois, fui trabalhar em Brotas; e lá, recebi um chamado para fazer uns trabalhos para o Semente, no Vale do Jequiriçá. Os responsáveis, na época, eram um Psiquiatra e uma Professora. Então, por duas ou três vezes, fui fazer um trabalho de regressão em grupo; esse trabalho durou entre dois e três meses.

Um dia, recebi o telefonema de uma ex-paciente, uma Psicóloga que morava nos Estados Unidos:

– Almeida, preciso urgentemente ir ao Brasil. Preciso conversar com você. Tem mais de trinta dias que eu não durmo. Meu marido, John, até tem sido maleável comigo e concordou que eu deveria viajar, pois preciso conversar contigo pessoalmente.

– Tudo bem – respondi-lhe.

Chegando ao Brasil, após desembarcar no Aeroporto Internacional de Salvador, foi direto para a clínica localizada em Brotas. Chegando lá, começou a me explicar que não sabia os motivos que a levaram ali; só sabia que estava muito agoniada, e na certeza de que quando falasse comigo tudo passaria. Após deitar no divã, coloquei-a em um estado alterado de consciência. De imediato,  um Ser pronunciou-se através dela:

– Nós a trouxemos aqui porque precisávamos falar com você. Necessitávamos passar-lhe uma tarefa. Você precisa desenvolver um trabalho em um espaço que fica daqui a 40 km, mais ou menos; chama-se Semente.

Para minha surpresa, o espaço do Semente que eu conhecia ficava muito mais distante, uns 200 Km. Mas o espaço indicado estava a 40 Km, era ligado a Trigueirinho e também a Sara Merriol. Eles continuaram:

– Então procure saber e depois lhe passaremos mais detalhes.

A clínica ficava no andar de cima. Embaixo, tinha uma cantina. Após a sessão, desci em direção à cantina. Ao descer as escadas, uma senhora se aproximava de mim. Então a fixei e disse-lhe intuitivamente:

– Estou reunindo algumas pessoas para fazer um trabalho em um local chamado Semente.

– Semente? – respondeu surpreendida.

– Sim. – disse-lhe.

– Mas o Semente que eu dirijo?

– Existe outro Semente? O Semente que estou imaginando é o Semente do Vale do Jequiriçá, de Ana.

– Olha, eu administro um Semente há mais de dez anos. Ele fica em Camaçari, a quase 40 km daqui.

– Pronto, é esse. Eu disse.

– Por quê? – questionou ela.

– Recebi um recado agora, dizendo que eu tenho um trabalho a desenvolver lá.

Ela se prontificou a ajudar e reuni mais pessoas. Diana fazia parte de um Centro Espírita da Cidade Baixa, em Salvador. Não falei para ela sobre a ligação desse trabalho com um conhecido líder comunitário do Brasil (LCB), pois ainda não havia obtido uma confirmação. Tentei contato com ele e com Sara e não consegui, porque descobri que Sara tinha falecido.

Diana, emocionada com todo o ocorrido, convocou a Diretoria do centro espírita que frequentava e lhes contou tudo o que se passara desde que eu a contatei. Isso despertou a atenção de todos, pois eles, há 14 anos (naquela época), aguardavam a chegada de um guardião que seria responsável por aquele espaço. Assim eles tinham recebido essa informação e estavam apenas esperando o guardião.

Marcaram a reunião para um sábado, no Sítio em Camaçari, sede do Semente, para conhecermos o local –  aos cuidados do Centro Espírita, lá realizavam reuniões sociais e mediúnicas, uma vez por mês. Marcaram, então, uma data para fazer um trabalho com a Estrela, como o Ser tinha sugerido. Muitas pessoas foram convidadas e, dentre essas, alguns membros do Centro Espírita. Apenas sete pessoas compareceram no dia, inclusive a Psicóloga que trouxe o Ser com a mensagem, e, juntos, demos início ao trabalho que nos fora designado.

No centro do salão, desenhei no chão uma grande Estrela de seis pontas, riscando com giz, e, no início da noite, fizemos um Cerimonial. Posicionei-me na entrada do salão, segurando uma vela acesa, com a mão direita, e seis pessoas, cada uma delas, erguia uma vela apagada; ao entrarem no salão, acendiam suas velas a partir da minha; e cada um, com sua vela acesa, escolhia uma ponta da Estrela e ali colocava a sua vela. Por último, eu me dirigi para a Estrela que já estava com as velas acesas, uma em cada ponta; e coloquei a minha, no centro da Estrela. Nesse momento, ocorreu um enorme trovão, seguido por uma forte e breve chuva, que se despencou em todo o Sítio, juntamente a uma ventania; assim como iniciou, repentinamente parou. Diana e mais outra pessoa entraram em transe no momento do trovão e da chuva. Diana conectou-se com uma pessoa já desencarnada, que se apresentou como Regina, a qual lhe passou algumas informações. “Que ótimo, conseguimos!” – ficamos muito satisfeitos, pois conforme fui intuído a realizar, concluímos o trabalho a contento. No dia seguinte, domingo pela manhã, finalizamos os trabalhos e soubemos que aquele Sítio foi onde o LCB começou sua comunidade, que depois transferiu para Minas Gerais. Ele começou seu trabalho com Sara, em São Paulo. Tudo interligado, como disse o Ser através da Psicóloga que veio dos Estados Unidos. Depois fomos embora. No Centro Espírita, Diana e outros membros relataram sobre o trabalho que realizamos no Sítio em Camaçari. Acharam interessante, pois eles também desenvolviam trabalhos com a Estrela. Posteriormente fui convidado a participar de algumas reuniões. Nesse tempo, o MPVEC não possuía um espaço próprio para o desenvolvimento de suas atividades. Nos foi autorizado a desenvolver nossos encontros no Sítio. Foi uma peregrinação até chegarmos a esse Sítio. Primeiro, nos reuníamos em um sítio em Catu; depois, nos direcionamos para outro sítio, em São Cristóvão – propriedade de parentes de um dos integrantes do Movimento. Tomando conhecimento dessa situação, o Centro Espírita nos permitiu utilizar o Sítio de Camaçari – este era composto de três praças, um refeitório amplo, um extenso salão; alguns módulos com dois quartos; cada um com banheiro e varanda; variadas construções. Foi ótimo para o Movimento, pois ali pudemos desenvolver nossos trabalhos. Surgiram algumas desconfianças por parte da Diretoria do Centro, mas mesmo assim, continuei realizando os encontros mensais no Sítio. Em menos de dois meses depois, o líder do Centro foi ao Sítio realizar uma reunião mediúnica; toda a Diretoria e muitos outros membros do Centro estavam presentes. Eu não tinha conhecimento desse evento; dirigi-me ao Sítio para resolver algumas pendências, achando que não havia ninguém, mas me deparei com uma reunião a ser realizada no salão. Avistaram-me quando se dirigiam ao salão e me convidaram a participar da reunião; agradecido, expliquei-lhes que já estava de saída, porém, insistiram, até que decidi acompanhá-los. No enorme salão, as pessoas se encontravam sentadas em almofadas, com as costas encostadas na parede; o centro do salão estava vazio. Sentei-me junto à porta de entrada; ao meu lado esquerdo, sentou-se Lena, encostada à porta; e ao meu lado direito, Miriam, esposa de Dr. Paulo. Lena tinha um gravador nas mãos, para gravar as mensagens mediúnicas das pessoas incorporadas. Iniciada a reunião, dizia o dirigente: – Irmãos, deem passagem. Irmãos encarnados, deem passagem para os desencarnados.

E assim prosseguiu durante algum tempo, sem que nenhum médium manifestasse. Enquanto isso, Lena tentava pôr o seu gravador para funcionar; estava com pilhas novas, assim como as fitas. Mas no meu íntimo, algo me dizia – “Ninguém vai se manifestar e não vai haver nada para gravar”. Inconscientemente essa intuição era muito forte. Após ter passado meia hora de muitas tentativas, uma pessoa de nome Estela, sentada à minha direita, começou a se balançar e a pronunciar repetidamente o nome “ISA, ISA, ISA …” e assim, sucessivamente; aproximadamente depois de ter pronunciado umas dez vezes o nome ISA, levantou-se de olhos fechados, pronunciando “ISA, ISA, ISA …”. Contornou todo o salão, começando pelo lado direito, sem tocar em nada.”ISA, ISA, ISA …”. Quando chegou até mim, posicionando-se à minha frente, juntou as mãos em um sinal de reverência, ajoelhou-se, e disse:

– ISA, eu e o Pai somos um.

Reverenciou-me, e eu a ela; posteriormente, levantou-se e seguiu para o lugar de onde havia saído. Ela caminhava perfeitamente, como se estivesse com os olhos abertos. E sentou-se em seu lugar, e todo o salão silenciou. Com mais um tempo, Miriam, sentada três assentos ao meu lado direito, começou a se contorcer, como se estivesse sentindo dores de parto; após as contrações, deitou-se no chão e abriu as pernas, colocando-se em uma posição como se fosse dar à luz; então, Vânia, que estava ao seu lado direito, também com os olhos fechados, levantou-se e foi até ela; abaixou-se, estirou os braços como se fosse uma parteira e fez gestos como se estivesse fazendo o parto de um bebê; em seguida, a parteira retirou esse fictício bebê; levantou-se e, erguendo os braços como se estivesse com a criança nas mãos, apresentou aos céus, simbolizando o nascimento de alguma energia especial, ou mesmo um bebê especial, no plano etérico. Daí a apresentação para o Universo. Após a apresentação, ela começou a andar de olhos fechados, fazendo o mesmo trajeto que Estela fez quando pronunciava o nome “ISA” repetidas vezes. Então, quando chegou próximo a mim, abaixou-se e me entregou “aquela criança”. Apesar de eu não enxergar nada, só suas mãos vazias, estiquei os braços e recebi; e ela voltou para o seu lugar. Naquele momento, ficou claro para todos que um grande trabalho havia nascido ali e que eu seria o guardião que eles estavam esperando. A partir daí, o Sítio, que se chamava Semente de Vida Nova, uniu-se ao MPVEC e passou a se chamar MPVEC – Semente Estelar. Com isso, senti-me na responsabilidade de dirigir esse trabalho. Então resolvemos toda a situação legal do Sítio. Tive acesso ao acervo fotográfico dos primeiros trabalhos realizados pelo líder comunitário.

Um mês depois, tive uma forte intuição de que eu deveria fazer o “Viver de Luz”. Preparei-me e fui para o Sítio onde sediava o movimento. Lá fiquei por 21 dias (três semanas de sete dias); na primeira semana, permaneci sem beber e sem comer absolutamente nada, sob jejum pleno. Muitas foram as experiências fora do corpo. Às vezes, encontrava-me em dois planos ao mesmo tempo. Apenas no sétimo dia, em um sábado, pude ingerir água. Nesse dia, logo pela manhã, a pedido da Espiritualidade, coloquei alguns cristais em um copo d’água e o expus ao sol; e à noite, no momento de beber a água, quando levei o primeiro gole à boca, o estrondo de um trovão, acompanhado de uma forte chuva, que logo parou, chamou-me a atenção. Ao tomar o segundo gole, o mesmo fenômeno voltou a ocorrer, exatamente como antes; achei aquilo interessante e, pela terceira vez, tornou a repetir. Ao ingerir o que restava da água, a chuva continuou. Ficou claro para mim que ali eu havia cumprido uma missão, de preparar o meu corpo como templo a serviço da Energia Crística; foi o meu batismo. A partir daí, foram mais duas semanas em estado de leveza, obtendo muitas intuições. Minha alimentação estava restrita à ingestão de sucos. Posterior a isso, foram quatro meses tomando apenas chás. Por sete anos, vivi sem alimentos sólidos e gozando de plena saúde. Caminhava como se estivesse flutuando e me encontrava tão sutil, que comecei a aparecer em vários lugares ao mesmo tempo, realizando curas, inicialmente sem tomar conhecimento dos fatos. Muitas coisas vivenciei. No Sítio, orientado pela Espiritualidade, conduzi a construção de um Monumento da Estrela – uma Estrela contendo seis pontas, com outra de cinco pontas em seu interior, e no centro desta, um totem jorrando água. Cada ponta da Estrela externa representava um raio da natureza. Nesse mesmo local, criei uma pracinha e lá desenvolvíamos alguns rituais com fogueira, onde andávamos sobre brasas; experiências vivenciadas por todos os presentes. Foram vivências muito boas. Lá ficamos até não haver mais espaço para nós; e a energia do Semente (em Camaçari) foi transferida para o Templo do Isa, em Piatã (Chapada Diamantina). Daí em diante, segundo o estatuto, aquele local (o Sítio), deveríamos passar para outra organização que seguisse a mesma linha de trabalhos espirituais. Passamos para um grupo escoteiro, para que fizessem atividades lá, mas não souberam preservar o local. E daí voltou para o Centro Espírita, que devolveu para seu antigo dono.

 

(Continuação: História do MPVEC Semente Estelar: De Camaçari à Piatã)